A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de suspender por 90 dias as visitas do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou uma forte reação na ala da oposição. O parlamentar classificou a medida como uma "perseguição política, autoritária e desleal". O bloqueio ocorreu após Flávio ler em uma transmissão ao vivo nas redes sociais a chamada "Carta aos Brasileiros", escrita à mão por Jair Bolsonaro. No texto, o ex-presidente pedia unidade aos seus apoiadores e declarava o filho como seu porta-voz oficial na disputa eleitoral.
O episódio trouxe de volta o debate público sobre o princípio da isonomia jurídica. Aliados do clã Bolsonaro criticaram o despacho e apontaram o que chamam de "dois pesos e duas medidas". Eles relembram que, durante os 580 dias em que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, seus advogados e interlocutores leram e divulgaram publicamente dezenas de cartas com forte teor político e eleitoral. Inclusive mensagens que oficializaram Fernando Haddad como o candidato do PT na campanha de 2018.
Para o ministro Alexandre de Moraes, o ato de Flávio Bolsonaro configurou um claro desvio de finalidade do direito de visita previsto na Lei de Execução Penal. O magistrado argumentou que o senador utilizou o momento familiar para obter o documento e utilizá-lo como instrumento de promoção política e propaganda eleitoral antecipada.






