O cenário político de Pernambuco para a disputa majoritária de 2026 desenha um ritmo de duas velocidades distintas. De um lado, a governadora Raquel Lyra (PSD) adota uma postura de cautela e ainda não bateu o martelo sobre a composição completa de seu palanque para a reeleição. Do outro, a oposição liderada pelo ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), joga com o tempo a seu favor. Aproveitando o vácuo deixado pela indefinição governista, o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade) desfrutam de um período de relativa tranquilidade tática para pavimentar suas pré-campanhas ao Senado.
Estrategistas políticos são unânimes: sem uma contraofensiva definida vinda do Palácio do Campo das Princesas, o trabalho de rua e as costuras de bastidores da oposição tornam-se consideravelmente mais fáceis. O vácuo da chapa governista funciona como um combustível para que Humberto e Marília acelerem o passo e conquistem bases antes mesmo do início oficial do período eleitoral.
Após selar o alinhamento de seu grupo político com o palanque de João Campos, Marília Arraes adotou uma agenda intensa de viagens. Colada à imagem e à forte aprovação popular do ex-prefeito da capital, Marília vem percorrendo a Região Metropolitana, a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão de Pernambuco.
Veterano em disputas majoritárias, o senador Humberto Costa corre contra o tempo de forma diferente. Sua estratégia foca no fortalecimento orgânico do Partido dos Trabalhadores (PT) e na vinculação direta e umbilical com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ausência de definições na chapa majoritária de Raquel Lyra confere à oposição uma vantagem temporal preciosa. Enquanto nomes da base do governo estadual — como o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e lideranças do Progressistas (PP) — aguardam uma sinalização clara sobre como serão distribuídas as vagas de vice-governador e das duas candidaturas ao Senado, a oposição já tem as suas principais peças no tabuleiro.