A temperatura política em Pernambuco subiu nos últimos dias. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), colocou na mesa um ultimato velado para o Partido dos Trabalhadores (PT): a definição de apoio à sua pré-candidatura ao Governo do Estado deve ocorrer até o fechamento da janela de filiações partidárias, marcado para o dia 4 de abril.
João Campos, que lidera as pesquisas de intenção de voto no cenário estadual, busca a segurança de ter o arco de alianças, principalmente com a federação PT-PCdoB-PV, selado antes de se desincompatibilizar da prefeitura para entrar na disputa majoritária.
No entanto, segundo bastidores, o PT, pressionado por ala interna, adiou a decisão oficial. O objetivo petista é ganhar tempo para aumentar seu poder de negociação e, crucialmente, observar se a governadora Raquel Lyra (PSD) — que vem mostrando crescimento no interior — conseguirá "virar o jogo" na popularidade.
A cúpula nacional do PT avalia a possibilidade de Lula ter dois palanques em Pernambuco: um com o PSB de João Campos e outro, eventualmente, com a governadora Raquel Lyra, garantindo "apoio" em qualquer cenário de segundo turno.
Apesar da tensão, aliados de João Campos avaliam que o PT dificilmente "jogará fora" a aliança histórica com o PSB no estado, principalmente pela relação sólida com a base de Lula nacionalmente. Contudo, a ala que defende a proximidade com Raquel Lyra argumenta que o PT não pode se sentir "subordinado" ao PSB local.
João Campos, que obteve uma votação recorde na capital, aposta no peso de sua gestão para oficializar sua candidatura, mas o 4 de abril promete ser um divisor de águas na Frente Popular de Pernambuco.

Nenhum comentário:
Postar um comentário