A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada ontem (15) entrará para a história não pelo cumprimento da justiça, mas pelo espetáculo de autoblindagem que escancarou uma divisão moral na mais alta Corte do país. Diante de denúncias gravíssimas envolvendo relatórios da Polícia Federal e mensagens trocadas com banqueiros investigados, o tribunal preferiu se enredar em chicanas processuais e pedidos de vista estratégicos a dar uma resposta transparente à sociedade brasileira. A mensagem captada pela população foi nítida e dolorosa: no Brasil, a lei vale rigorosamente para a "plebe", mas evapora quando atinge os donos do poder.
O Teatro das Vaidades e a Blindagem Corporativista
O julgamento inédito deveria decidir se os indícios colhidos no celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, justificavam a abertura de uma investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes. Em vez de um debate técnico e sereno, o plenário virou palco de um vergonhoso bate-boca entre Moraes e o ministro André Mendonça, com acusações mútuas de "farsa", "mentira" e "serviço a grupos políticos".
A gravidade do caso exigia pressa, mas o que se viu foi uma manobra cirúrgica para adiar o inevitável. Quando o placar técnico se desenhava desfavorável à ala que tenta abafar o caso, o ministro Flávio Dino sacou um pedido de vista, suspendendo a sessão e empurrando a decisão com a barriga por até 90 dias. Uma tática velha, engomada sob o manto do rito jurídico, usada para esfriar a indignação pública.

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