O debate sobre a composição da chapa majoritária da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), para as eleições de 2026 ganhou um novo e tenso capítulo. O estopim da crise ocorreu após declarações incisivas do ex-prefeito de Petrolina e presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho. Questionado sobre seu futuro político, ele ameaçou lançar candidatura avulsa ao Senado Federal.
Atualmente, o União Brasil e o Partido Progressistas (PP) integram oficialmente a mesma federação, a União Progressista. Nos bastidores, as vagas para o Senado na chapa da governadora são disputadas diretamente por Miguel Coelho e pelo deputado federal e líder do PP, Eduardo da Fonte. Como a legislação eleitoral impede que partidos federados lancem mais de um candidato avulso para a mesma vaga, a declaração de Miguel de que pretende manter sua postulação — mesmo sem consenso na federação — causou forte desconforto.
A afirmação gerou mal-estar imediato dentro do PP. Parlamentares da sigla reagiram à fala de Miguel Coelho e exigem que a situação seja tratada diretamente com a governadora Raquel Lyra. A ala progressista defende que o candidato do grupo seja definido em consenso e teme que a decisão isolada do ex-prefeito de Petrolina possa implodir as articulações da aliança governista.
Para tentar apaziguar os ânimos e contornar o impasse, a direção da federação planeja marcar uma reunião de urgência nos próximos dias. O objetivo do encontro é debater a questão da chapa majoritária, alinhar as estratégias internas e definir, junto à chefe do Executivo estadual, o nome que representará a coligação na corrida ao Senado.
Raquel Lyra, por sua vez, tem evitado cravar definições precipitadas. A gestora mantém a postura de que o momento é de foco na administração estadual e de que as decisões sobre o pleito de outubro serão tomadas no tempo necessário, buscando manter a coesão de sua base de apoio para a disputa à reeleição.

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